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PROPOSTA DE PROTOCOLO HIDROCINESIOTERAPÊUTICO
EM PORTADORES DE MENISCO LATERAL DISCÓIDE

Dra. Monique Maciel Soares de Lima

O MENISCO:

Os meniscos são estruturas formadas de fibrocartilagem que por não serem fixadas nas superfícies articulares, são estruturas móveis. Em caso de não movimentação do menisco com os côndilos femorais, pode ocorrer esmagamento ou laceração desta estrutura pelos côndilos.
Os meniscos têm por função estabilidade da articulação do joelho, auxílio na transmissão de forças na descarga de peso, lubrificação aumentada e auxilio na rolagem dos côndilos femorais durante o movimento.

O MENISCO DISCÓIDE

Um menisco discóide é uma anomalia congênita que se apresenta displásico e diferente de sua forma normal. Permanece em estado embrionário e interposto entre os côndilos laterais do fêmur e da tíbia, a massa grossa forma um disco diferente de sua formação tradicional em “C” ou semilunar. Envolve geralmente o menisco lateral, com envolvimento ocasional do menisco medial.
Até a atualidade a etiologia desta patologia permanece desconhecida, no entanto fatores genéticos podem estar presentes. A etiologia congênita é a mais freqüentemente proposta.

CLASSIFICAÇÃO

A - Tipo Completo: menisco que encobre a totalidade do côndilo tibial e sua inserção periférica normal; B – Tipo Incompleto: menisco que não encobre a totalidade do côndilo da tíbia e sua inserção periférica é normal; C- Tipo ligamento de Wrisberg: Não possui inserção no corno posterior do côndilo tibial no entanto existe uma inserção no ligamento de Wrisberg.

QUADRO CLÍNICO

A apresentação clínica de um paciente com menisco lateral discóide pode ser muito variável e geralmente está relacionada com o tipo de menisco e com a presença ou ausência de lesão.  Os sintomas são semelhantes àqueles de uma lesão meniscal em um indivíduo com menisco de forma normal.
Inicialmente surgem os sintomas como dor articular progressiva, derrame articular raramente e atrofia muscular do quadríceps, fazendo necessária uma avaliação para que sejam descartadas as complicações como lacerações completas, degeneração discal ou cistos. A dor pode ser apresentada também à palpação nas interlinhas articulares.
Inicialmente o paciente deverá ser encaminhado para a fisioterapia, tendo em vista que a hidrocinesioterapia deverá ser iniciada apenas após a cicatrização dos pontos o que deve ocorrer por volta da 2a semana pós-operatória. Neste período o paciente deverá permanecer com o joelho imobilizado por uma órtese por aproximadamente 4 a 6 semanas, sendo que será necessário que realize exercícios isométricos, e carga parcial com as muletas. Após a retirada da imobilização, exercícios de amplitude articular e fortalecimento.

3a a 4a semana:
         O paciente apresenta quadro clínico de dor de leve a moderada, força muscular reduzida, derrame articular de mínimo a moderado, amplitude de movimento reduzida. A conduta tem por objetivos reduzir a dor e o edema, manter uma amplitude de movimento (ADM) de 0º a 120º, aumentar a força e a resistência muscular e normalizar a marcha do paciente dentro das limitações do mesmo.

  • Deambulação lenta com carga total a altura do processo xifóide (28% do peso corporal), caminhada com elevação bilateral nas pontas dos pés, balanceio bilateral sobre os calcanhares, passada lateral, caminhada para trás;
  • Alongamento dos músculos ísquios tibiais, quadríceps, tríceps sural, adutores e do quadril com auxilio de flutuadores do tipo macarrão;
  • Exercícios ativos livres evoluindo para caneleira de 1Kg para isquiotibiais, quadríceps, abdutores e adutores do quadril;
  • Treino de marcha com o paciente submerso a altura do apêndice xifóide;
  • Bicicleta estacionária submersa para ganho de ADM de flexão;
  • Agachamento inicialmente com o paciente submerso até o apêndice xifóide;
  • Elevação do calcanhar;
  • Massagem de fricção ao redor da cicatriz cirúrgica;

5a a 7a semana:
         Para que o paciente progrida para esta fase se faz necessário que esteja com edema e dor mínimos e bom controle da musculatura do membro inferior.
         Além dos itens propostos anteriormente, serão acrescidos os seguintes procedimentos:

  • Deambulação rápida com carga total a altura da espinha ilíaca ântero-superior (EIAS), caminhada com elevação bilateral nas pontas dos pés, balanceio bilateral sobre os calcanhares, passada lateral cruzando as pernas, caminhada para trás;
  • Exercícios ativos com acréscimo de caneleira de 1Kg;
  • Transferência de peso Antero-posterior e lateral;
  • Bicicleta estacionária submersa com início de carga com velocidade;
  • Agachamentos realizados com o paciente submerso até a EIAS.

8a a 10a semana:
         Além dos itens propostos anteriormente, serão acrescidos os seguintes procedimentos:

  • Deambulação passa para trotes com o paciente inicialmente submerso ao nível do apêndice xifóide, progredindo para EIAS;
  • Exercícios ativos com acréscimo de caneleira de 1Kg;
  • Bater pernas na borda da piscina;
  • Subir em steps lateralmente e de frente;
  • Agachamento unilateral com o paciente submerso ao nível do apêndice xifóide.
  • Exercícios de propriocepção com pranchas.

11a a 12a semana:
         Além dos itens propostos anteriormente, serão acrescidos os seguintes procedimentos:

  • Deambulação passa para corridas e trotes com o paciente submerso ao nível das EIAS;
  • Exercícios de propriocepção com cama elástica;
  • Corridas com bicicleta estacionária.




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